Período pré-socrático: cosmologia

Os historiadores ditam que o surgimento da Filosofia na Grécia iniciou-se no começo do século VI e no final do século VII nas colônias gregas da Ásia Menor (Jônia) na cidade de Mileto. É contado que a Filosofia nasceu na Grécia, entretanto, os povos mais antigos como os hindus ou chineses possuíam também conhecimentos e saberes da Natureza e do ser humano, porém os gregos desenvolveram formas de pensamentos completamente diferentes das características desenvolvidas pelos outros povos. O surgimento da Filosofia grega pode ser explicado através de alguns motivos tendo como uma das principais causas algumas condições históricas, como por exemplo, viagens marítimas que permitiram a eles descobrirem lugares onde só eram existidos em suas mentes através de mitos contados por outras pessoas por meio de narrações antigas. Logo ao se aventurarem pelos grandes mares os gregos começaram a perceber que monstros, deuses, titãs e outros seres fabulosos só existiam nos mitos, e que, na verdade, estes lugares eram habitados por outros seres vivos e seres humanos.

Diante destes fatos deram início à curiosidade sobre o surgimento e certas explicações decorrentes ao universo. O início da Filosofia tem como marca principal também a evolução de dois períodos históricos possuindo como referência o filósofo Sócrates de Atenas, donde surgiu a divisão da Filosofia em pré-socrática e socrática. Alguns filósofos que se destacaram no período pré-socrático foram Tales de Mileto, Pitágoras de Samos, Parmênides de Eléia, Empédocles de Agrigento, dentre outros que também podemos citá-los como importantes nesta época.

Focaremos neste texto as características do período pré-socrático ou, também denominado de cosmológico, e é neste período que a Filosofia se ocupa essencialmente com a origem do mundo e os principais motivos das transformações da Natureza. Cosmológico vem de cosmologia que é a ciência que estuda a estrutura (forma e organização da matéria), composição (do que é feito) e a evolução (transformações) do universo. A cosmologia é uma ciência comprometida a ter uma explicação racional e sistemática sobre a origem, ordem e transformação da Natureza, explicando também o surgimento e as transformações de nós seres humanos. Ela afirma que o mundo não nasceu do nada como é dito em certas religiões (por exemplo, judaico-cristã), significando que no mundo ou na Natureza nenhuma matéria desaparece, mas sim, se transforma em outro tipo de coisa, possuindo formas diferentes, porém mantendo a sua essência (matéria). Possui também o conceito de physis (verbo grego que significa fazer surgir, nascer, produzir) que é de forma simplificada a Natureza em constante transformação. A cosmologia afirma também que todos os seres estão em contínua transformação alterando-se sua qualidade (por exemplo, o quente esfria, a cor descolore, a noite da lugar ao dia, a doença da lugar a cura, etc.) e sua quantidade (o pequeno torna-se grande, o pouco torna-se muito, o muito torna-se pouco, etc.). “Portanto, o mundo está numa mudança contínua, sem por isso perder sua forma, sua ordem e sua estabilidade (CHAUI 1997)”.

Toda essa mudança de nascer, morrer, mudar de quantidade ou de qualidade é denominada de movimento e o mundo está em constante movimento. Este movimento é o chamado devir que segue leis que ditam que toda mudança é a passagem de um estado ao seu oposto: quente-frio, dia-noite, feliz-triste, cheio-vazio, etc., e a recíproca também é verdadeira. “O devir é, portanto, a passagem contínua de uma coisa ao seu estado contrário e essa passagem segue leis determinadas pela physis (conceito da Natureza em contínua transformação) ou pelo princípio fundamental do mundo (CHAUI 1997)”.

Podemos definir então o período pré-socrático ou cosmológico a época que antecedeu a Sócrates por volta do século VI a.C. quando também apareceram os primeiros filósofos, já ditados no texto, na colônia grega de Jônia. Entretanto essa divisão de pré-socrático com socrático se dá ao objeto de sua filosofia, e não de sua cronologia, pois temporalmente alguns filósofos denominados de pré-socráticos eram do mesmo tempo que Sócrates e até mesmo alguns, posteriores a ele.

Outro artigo relacionado a Filosofia “Atitude filosófica e atitude crítica

Bibliografia: CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia; São Paulo, editora Ática, 1997.

 



 

Leonardo Marioto

Formado em Administração pela faculdade UNICEP de São Carlos e especializando em Gestão Organizacional e de Pessoas pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar.

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  • E.P. GHERAMER

    Achei excelente o seu texto, Leonardo. É graças a ele que eu vejo a oportunidade de deixar aqui o meu ponto de vista, quanto à prepotência que o Homrem contemporâneo tem de achar que é o causador de muitos transformações naturais e, pior ainda, é o de achar que pode controlar tais mudanças. Não há remendo para a camada de ozônio. Esta e outras transformações por que passa a Natureza, são processos naturais e – pobre homem! – não podem ser alterados por seres humanos. Trata-se da “physis”, da qual você falou.
    Um grande abraço e, mais uma vez, parabéns pela excelente postagem!

    • Leonardo Marioto

      @epgheramer:disqus, concordo que a Natureza passe por transformações, no entanto estas passagens mais potentes, rápidas e bruscas, como por exemplo o buraco da camada de ozônio, não seria consequência de ações humanas?

  • Leonardo Marioto

    Obrigado Manu! Grande abraço!