Contagem

Por Dulce Morais

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Arte: Kimberly Conrad

Escapou
o sonho,
a terra,
o sentir,
a mão,
o filho,
a presença.

Fugiu
o clamor,
a perfeição
que nunca existiu,
a beleza
do momento,
a eternidade
no sopro
do vento.

Resta
a dor
da ausência.
Uma essência
do que foi
e não voltará.
A prudência
nas palavras.
E na voz…
o silêncio.

Dulce Morais

Sou originária da cidade de Tomar, Portugal. Se nasci em país lusófono, deixei-o ainda criança para seguir o destino, com rumo a várias culturas, acabando por me fixar durante a adolescência à beira do Lago Léman, em Genebra. Foi lá que vivi durante vinte e cinco anos, estudei, fundei uma família e comecei a rabiscar versos e prosas em cadernos ou folhas soltas, escondidos em seguida em gavetas bem fechadas.

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  • Alexandre Cimatti

    E sempre se vai…

  • Isa Lisboa

    A perfeição existe e por vezes cruza-se momentaneamente connosco para nos deixar mais ricas e completas que o que éramos antes…!
    Beijo, Dulce!

    • dmorais

      Obrigada, Isa!
      Bjos!

  • claudianes.15@gmail.com

    Escapou só o material
    Fugiu o imaterial
    Resta todos os momentos vividos .que por sinal vez ou outra é a linha que borda o tecido do ainda existir.

    • dmorais

      Claudiane,
      É poesia, o seu comentário!
      Além de ser, claro, de uma sensibilidade profunda!
      Obrigada!
      Bjo!

  • Cris Campos

    Resta ainda as mãos estendidas que não nos permitem sucumbir à dor… A força e beleza desse poema me levou muito além…

    Perfeito Dulce! Gr. bj. DD!

    • dmorais

      Essas mãos, Cris, são as que, mesmo no silêncio, sabem ouvir mil palavras…
      Obrigada!
      Outro Gr. bj., Cris!